A importância do Legal Design e Visual Law no ambiente jurídico: entenda a diferença e como aplicar

A importância do Legal Design e Visual Law no ambiente jurídico: entenda a diferença e como aplicar em sua prática jurídica

O Legal Design e o Visual Law são conceitos que têm ganhado cada vez mais destaque no ambiente jurídico. Com o objetivo de melhorar a comunicação e a experiência do usuário, essas abordagens têm se mostrado eficazes na simplificação e visualização de documentos jurídicos complexos – seja por profissionais do direito ou não.

Neste artigo, exploraremos essas duas técnicas que estão revolucionando o meio jurídico, como elas podem melhorar a comunicação jurídica, a relação com a experiência do usuário, como aplicá-los na prática, seus benefícios e como podem ajudar na tomada de decisões.

Além disso, discutiremos a importância da estética no ambiente jurídico e como essas ferramentas podem ajudar na compreensão de documentos jurídicos, tornando-os acessíveis. 

Por fim, abordaremos o futuro dessas abordagens no ambiente jurídico.

Resumo

  • Legal Design e Visual Law são técnicas que visam melhorar a comunicação jurídica por meio de elementos visuais e estéticos.
  • A aplicação do Legal Design e Visual Law pode melhorar a experiência do usuário e ajudar na compreensão de documentos jurídicos.
  • A estética, promovida através do visual law e legal design, é importante no mundo jurídico, pois pode influenciar na percepção e credibilidade das informações apresentadas.
  • O uso do Legal Design e Visual Law pode ajudar na tomada de decisões jurídicas e na acessibilidade no ambiente jurídico.
  • O futuro da prática de visual law e legal design no mundo jurídico é promissor, pois pode trazer mais eficiência e clareza na comunicação jurídica.

 

O que é Legal Design e Visual Law?

O Legal Design é uma abordagem que busca aplicar princípios de design, aliado a Ux Writing e Plain Language, para melhorar a comunicação jurídica. Ficou, amplamente, conhecido pelo pioneirismo de Margaret Hagan (diretora do Legal Design Lab na Stanford Law School, uma iniciativa que utiliza princípios de design e desenvolvimento de tecnologia para criar inovações no campo jurídico.)

O Legal Design envolve a estratégia para tornar os documentos jurídicos mais acessíveis e compreensíveis, cujo foco, com base na metodologia LDFD de Gabriella Ibrahim, é o usuário final do documento. É a aplicação do design centrada no usuário.

Isso significa que a aplicação do Legal Design em uma petição não é a mesma aplicação realizada em um contrato para prestadores de serviços. Essa distinção, criada por Gabriella Ibrahim – e que deu origem à Metodologia LDFD, é fundamental para a aplicação correta dos instrumentos. 

Já o Visual Law é uma disciplina que se concentra especificamente na visualização de informações legais por meio de ícones, gráficos, ilustrações e outros recursos visuais. É, em síntese, o uso de recursos visuais em documentos jurídico.

Embora os dois conceitos estejam relacionados, eles têm diferenças sutis em termos de foco e aplicação.

Para facilitar, entende-se que o Legal Design é genêro. A seu turno, o Visual Law pode ser considerado espécie do gênero Legal Design.

A importância desses instrumentos – e do design thinking – no ambiente jurídico

A melhoria na comunicação jurídica é um dos principais benefícios do design thinking (abordagem utilizada para resolver problemas de maneira criativa e inovadora) incorporado no visual law e legal design. 

Muitas vezes, os documentos jurídicos são complexos e repletos de terminologia técnica, o que dificulta a compreensão por parte do público em geral. Ao utilizar elementos visuais e simplificar a linguagem, essas abordagens tornam os documentos mais acessíveis e compreensíveis para todos.

Além disso, o Legal Design e Visual Law também contribuem para a experiência do usuário. Ao lidar com documentos jurídicos, as pessoas podem se sentir sobrecarregadas e confusas. No entanto, ao utilizar elementos visuais e simplificar a apresentação das informações, essas práticas tornam a experiência mais agradável e menos intimidadora.

A acessibilidade também é um aspecto importante das práticas de visual law e legal design nos serviços jurídicos. Muitas pessoas, que não têm qualquer conhecimento jurídico, acabam enfrentando resistência ao lidar com documentos jurídicos tradicionais. Ao utilizar elementos visuais e simplificar a linguagem, essas abordagens tornam os documentos mais acessíveis para todos, independentemente de suas habilidades.

Como eles podem melhorar a comunicação jurídica

Uma das maneiras criativas pelas quais essas ferramentas podem melhorar a comunicação jurídica é por meio do uso de infográficos e linhas do tempo. São, portanto, representações visuais de informações complexas que facilitam a compreensão do leiter. São, em verdade, a aplicação do visual law na essência: ao utilizar essas ferramentas em documentos jurídicos, é possível transmitir informações de forma clara e concisa, tornando-as mais fáceis de entender e visualmente atraentes. Por óbvio, sempre considerando o público-alvo do documento em questão.

Outra forma de melhorar a comunicação jurídica é através da simplificação de documentos – aplicando-se técnicas de Ux Writing e Plain Language. Muitas vezes, os documentos jurídicos são escritos em linguagem técnica e repleta de jargões legais (o famoso juridiquês), o que dificulta a compreensão por parte do público em geral. Ao simplificar a linguagem e evitar o uso desnecessário de termos técnicos, é possível tornar os documentos mais acessíveis e compreensíveis para todos.

Além disso, o uso de cores e fontes adequadas também pode contribuir para a melhoria da comunicação jurídica. Cores (respeitando o contraste) e fontes adequadas podem ajudar a destacar informações importantes e tornar os documentos mais atraentes visualmente. Isso facilita a leitura e compreensão dos documentos, tornando a comunicação mais eficaz.

A relação entre Legal Design e Visual Law e a experiência do usuário

Ao lidar com documentos jurídicos, as pessoas muitas vezes se sentem sobrecarregadas e confusas. No entanto, o Visual Law e o Legal Design melhoram essa experiência na prática jurídica. Ao utilizar elementos visuais e simplificar a apresentação das informações, essas abordagens tornam os documentos mais agradáveis e menos intimidadores.

Além disso, o uso de elementos visuais pode ajudar as pessoas a entenderem melhor as informações apresentadas nos documentos jurídicos. Gráficos, ilustrações e outros recursos visuais podem facilitar a compreensão de conceitos complexos e tornar as informações mais claras e concisas.

Como os profissionais do direito podem aplicar esses instrumentos na prática

Para aplicá-los na prática, é importante seguir um passo a passo. Em primeiro lugar, com base na metodologia LDFD, de Gabriella Ibrahim, é fundamental entender quem é o usuário final do documento. São os magistrados e seus assessores? São prestadores de serviços? 

Definir o usuário final do documento é o que fará você aplicar o Legal Design adequadamente.

Em seguida, com ajuda do design thinking, é necessário identificar os principais pontos que precisam ser comunicados nos documentos jurídicos. Assim, é possível utilizar elementos visuais, como infográficos, linhas do tempo e diagramas, para representar essas informações de forma clara e concisa. 

Além disso, é importante que o legal design simplifique a linguagem utilizada nos documentos jurídicos. Deve-se, portanto, evitar o uso desnecessário de termos técnicos e jargões legais pode tornar os documentos mais acessíveis e compreensíveis para todos – é aqui que entra a Ux Writing e a Plain Language.

Perceba, porém, que o Legal Design cria soluções se – e somente se – o usuário final do documento for colocado no centro da aplicação do instrumento. É, por isso, que a primeira etapa, com base na metodologia LDFD, é a mais importante.

Se ela for desrespeitada, criam-se documentos visualmente atraentes e de fácil compreensão, mas que, simultaneamente, não têm nenhum efeito prático no dia a dia jurídico. Quando isso acontece, percebe-se que o usuário final do documento não foi considerado. 

Os benefícios ao usá-los no ambiente jurídico

O uso do Legal Design no ambiente jurídico traz diversos benefícios. Um dos principais benefícios é a melhoria na comunicação e a facilidade de compreensão dos documentos. Ao utilizar elementos visuais e simplificar a linguagem, essas abordagens – como já dito – tornam os documentos mais acessíveis e compreensíveis para todos.

A acessibilidade também é um benefício importante: Ao utilizar elementos visuais e simplificar a linguagem, essas abordagens tornam os documentos mais acessíveis para pessoas que não têm qualquer conhecimento técnico sobre o tema.

Como o Legal Design e Visual Law podem ajudar na tomada de decisões jurídicas

O Legal Design e Visual Law podem ajudar na tomada de decisões jurídicas ao facilitar a compreensão dos documentos. Muitas vezes, os documentos jurídicos são complexos e repletos de informações técnicas, o que dificulta a compreensão por parte das partes envolvidas. No entanto, ao utilizar elementos visuais e simplificar a linguagem, é possível tornar os documentos mais acessíveis e compreensíveis, facilitando a tomada de decisões.

Pense no caso de um prestador de serviços de arquitetura. Nem ele, nem o cliente dele, entendem termos complexos e técnicos dentro da elaboração contratual. É preciso que as partes envolvidas entendam o documento que estão assinando, sem que, por óbvio, perca-se a segurança e a seriedade ali envolvida.

Com o Legal Design, é possível transmitir as informações de forma clara e concisa, facilitando a comunicação e evitando mal-entendidos. Isso melhora a experiência de todos os envolvidos na relação.

A importância da estética no ambiente jurídico

A estética desempenha um papel importante no ambiente jurídico: sim, a estética convence.

A apresentação visual de um documento pode influenciar na percepção das informações – seja uma informação jurídica ou não – neles contidas. Uma apresentação visual atraente transmite profissionalismo e confiança, enquanto uma apresentação visualmente desorganizada pode transmitir falta de cuidado e atenção.

Então, essas ferramentas podem melhorar a estética dos documentos jurídicos ao utilizar cores, fluxogramas e tipografia adequadas. Cores adequadas podem ajudar a destacar informações importantes e tornar os documentos mais atraentes visualmente. A seu turno, o uso de fluxogramas traz mais clareza e objetividade para o documento. Por fim, o uso de uma tipografia adequada (fontes) pode tornar os documentos mais legíveis e profissionais. Ratifique-se: tudo com base no usuário final. Portanto, não ignore a aplicação da metodologia LDFD, criada por Gabriella Ibrahim, quando elaborar o seu documento.

A relação entre Visual Law e Legal Design e a acessibilidade no ambiente jurídico

O legal design pode tornar os documentos jurídicos mais acessíveis ao utilizar elementos visuais e simplificar a linguagem. Nesse sentido, o Legal Design desempenha um papel fundamental, sobretudo no atual cenário da nossa sociedade, em que todos devem ter acesso igualitário à informação.

O Legal Design e o Visual Law contribuem para a acessibilidade ao tornar os documentos mais compreensíveis e fáceis de serem interpretados por pessoas com diferentes habilidades, i.e., tendo elas conhecimento jurídico ou não.

O futuro dessas técnicas

Essas ferramentas têm um futuro promissor: com o avanço da tecnologia e a crescente demanda por comunicação clara e acessível, essas abordagens tendem a se tornar cada vez mais importantes.

E não é pra menos: tornar o direito mais acessível, com foco no usuário, apresentando soluções criativas e com uma comunicação mais eficiente, que atenda às necessidades dos usuários finais, precisa ser o foco dos operadores do direito.

Uma das tendências para o futuro é o uso de inteligência artificial e automação para facilitar a aplicação do Legal Design e Visual Law. Essas tecnologias criativas podem ajudar na criação de infográficos e na simplificação de documentos, tornando a oferta de serviços jurídicos mais eficiente e acessível.

Além disso, espera-se que o Legal Design e Visual Law evoluam – de forma clara e compreensível – para se adaptar às necessidades específicas de diferentes áreas do direito. Cada área do direito tem suas próprias peculiaridades e desafios, e é importante que o Legal Design e Visual Law sejam adaptados para atender a essas necessidades.

Conclusão

O Legal Design e Visual Law são abordagens que têm o objetivo de melhorar a comunicação jurídica e a experiência do usuário. Ao utilizar elementos visuais, simplificar a linguagem e tornar os documentos mais acessíveis, essas abordagens contribuem para uma comunicação mais clara e eficaz no ambiente jurídico – tornando os documentos mais atraentes e de fácil compreensão.

Além disso, o Legal Design e Visual Law também podem ajudar na tomada de decisões jurídicas, melhorar a estética dos documentos, facilitar a compreensão ao tornar a informação jurídica acessível, melhorar a comunicação entre advogados. Em síntese: se bem utilizado, o Legal Design é capaz de tornar os sistemas e serviços jurídicos, ainda mais, relevantes.

Com um futuro promissor, essas técnicas têm o potencial de revolucionar a forma como os documentos jurídicos são apresentados e compreendidos. Têm o potencial de impactar, significativamente, o mundo do direito e entregar serviços jurídicos mais centrados no usuário final.

Se você quer aprender tudo sobre essas técnicas e acompanhar notícias e novidades sobre o assunto, considere acompanhar a Gabriella Ibrahim, criadora da primeira e mais completa Formação em Legal Design e Visual Law do Brasil, no instagram (@_gabriellaibrahim) e no Youtube.

 

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Quem sou eu?

Chamo-me Gabriella Ibrahim (mas pode me chamar de Gabi), sou advogada, pós-graduada em Direito e Processo do Trabalho e pós-graduanda na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).